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25/06/2018 9h19 - Atualizado em 25/06/2018 9h19
APOIO FADESP: Integração entre conhecimento científico e tradicional marca o lançamento do Belém+30.
Da Redação
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APOIO FADESP: Integração entre conhecimento científico e tradicional marca o lançamento do Belém+30.
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Diretor adjunto da FADESP, professor Roberto Ferraz: evento abre perspectiva de debate sobre tema que expõe as contradições da sociedade atual.
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Raimundo Magno: a luta das comunidades é histórica porque o modelo de desenvolvimento expulsa esses povos de seus territórios.
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Clement: desde a Carta de Belém, reconhecimento do saber tradicional na preservação do planeta ainda é raro.
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Apresentação cultural celebra o lançamento do Belém+30.

Representantes de instituições de pesquisa, povos tradicionais e governos lançaram oficialmente o Belém + 30, evento internacional que trará à capital paraense pessoas de pelo menos 45 países para discutir a sociobiodiversidade. Há trinta anos, evento semelhante fez recomendações para que o conhecimento tradicional seja respeitado, mas raramente elas foram cumpridas e o resultado é o acirramento da violência contra indígenas, quilombolas e demais comunidades que se desenvolvem utilizando os recursos naturais de forma não predatória.

O lançamento foi realizado nesta quinta-feira, 21, no Centro de Convenções Benedito Nunes, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. Trinta anos depois de ter participado da elaboração da Carta de Belém, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Charles Clement, foi convidado a fazer um breve histórico dos avanços e retrocessos desde então.

Ele explicou que as recomendações se pautaram na Declaração do Milênio, documento que evidenciou a fragilidade de ecossistemas como o das florestas tropicais, apontou o risco de desaparecimento da biodiversidade e listou ações consideradas importantes para a reversão das ameaças.

Conforme Clement, foram listadas como necessárias a destinação de mais recursos para a pesquisa, o reconhecimento dos especialistas indígenas como fontes de conhecimento, a compensação dos povos nativos pelo uso do conhecimento que geram e o retorno das pesquisas sobre etnobiologia para a comunidade.

Ele observou que passadas três décadas, a exploração predatória continua a ameaçar os recursos, só que de forma mais acelerada, e a cultura indígena ainda é atacada, especialmente no Brasil, apesar desses povos preservarem a diversidade biogenética tão importante para o planeta. O reconhecimento dos especialistas indígenas é raro, assim como de curandeiros, por exemplo.

Liderança da Associação Quilombola África e Laranjituba, Raimundo Magno Nascimento destacou que a luta das comunidades é histórica porque o modelo de desenvolvimento expulsa esses povos para que seus territórios sejam ocupados ou impactados por rodovias, ferrovias e demais equipamentos voltados ao mercado.

"Passamos pelo ataque religioso, de língua e agora da tecnologia. Até da Academia recebemos críticas. Falam em nivelar o conhecimento, mas do ponto de vista de quem?", pontuou Magno que aposta no Belém+30 como espaço para reflexão e crítica.

Planejamento – O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, professor Alex Fiúza de Melo, considera o Belém+30 necessário para fomentar o diálogo internacional sobre a Amazônia já que ela é importante globalmente porque detém o maior banco genético do planeta.

Fiúza defende a aplicação do conhecimento científico à preservação da floresta para que ela gere o desenvolvimento tanto das populações urbanas quanto das tradicionais. Porém, ele adverte que "vivemos em um país que não tem um projeto nacional para a Amazônia".

Evento – O Belém+30 reunirá, de 7 a 10 de agosto, o XVI Congresso Internacional de Etnobiologia, o XII Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia, a IX Feira Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e a I Feira Mundial da Sociobiodiversidade. A expectativa é ter um público de cerca de 2 mil pessoas.

O presidente do XVI ISE/ XII SBEE, professor Flávio Barros, observa que o evento abre uma outra perspectiva para se pensar a Amazônia, onde o espaço não seja visto como desabitado e o conhecimento tradicional possa dialogar com o científico. Ele revelou a resistência enfrentada dentro da própria Academia, mas pontuou conquistas como a recente criação da Assessoria de Diversidade e Inclusão Social (ADIS) na UFPA.

Segundo o professor, como espaço para se pensar essas resistências e conquistas, o evento terá entre os participantes um grupo indígena da Guiana Francesa que não é reconhecido pelo governo daquele país, tendo, inclusive, proibição à reprodução da língua tradicional.

Apoio – O diretor adjunto da FADESP, professor Roberto Ferraz, destacou a importância do apoio ao evento por ele abrir uma perspectiva de debate sobre tema que expõe as contradições da sociedade atual. É nesses espaços em que se discute a educação, a ciência e a tecnologia que virão as soluções para os problemas, acredita.

O Belém+30 é promovido pela Sociedade Internacional de Etnobiologia (ISE) e a Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE). Em Belém, a organização é da Universidade Federal do Pará (UFPA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), em parceria com diversas outras instituições de ensino e pesquisa da região, incluindo a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet, a Universidade Estadual do Pará (UEPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Serviço: Belém + 30
XVI CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE ETNOBIOLOGIA
XII SIMPÓSIO BRASILEIRO DE ETNOBIOLOGIA E ETNOECOLOGIA
IX FEIRA ESTADUAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
I FEIRA MUNDIAL DA SOCIOBIODIVERSIDADE

Data: 07 a 10 de agosto de 2018.
Local: Hangar Centro de Convenções da Amazônia, Belém – Pa.
Inscrições em www.ise2018belem.com