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22/05/2018 14h37 - Atualizado em 22/05/2018 14h37
Seminário de Arquitetura Sustentável de Vanguarda: Ruy Ohtake defende arquitetura social.
Da Redação
Portal FADESP
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Seminário de Arquitetura Sustentável de Vanguarda: Ruy Ohtake defende arquitetura social.
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Palestrante do Seminário de Arquitetura Sustentável de Vanguarda, realizado em Belém, o arquiteto e designer Ruy Ohtake provocou a plateia formada na maioria por estudantes de Arquitetura a exercitar a cidadania também na hora de elaborar seus projetos. O evento realizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA teve o apoio da FADESP. Na GALERIA podem ser conferidas algumas fotos e no site, todas as informações.

O Seminário foi realizado na noite de sexta-feira, 18, no Centro de Convenções Benedito Nunes, na UFPA. Da plateia, as cerca de 300 pessoas puderam conferir a trajetória de Ruy Ohtake contada por ele através de seus inúmeros projetos e obras. A coleção contém desde móveis até grandes prédios e espaços públicos.

O arquiteto detalhou os traçados, ora curvilíneos, ora com grandes retas, revelou como se dá o seu processo de criação e insistiu na provocação aos profissionais e estudantes para que não esqueçam de fazer projetos que respeitem o espaço. Esse compromisso exige a atenção às pessoas e aos elementos naturais como rios, por exemplo.

Após assistir a abertura feita pelo arquiteto Joaquim Meira, com dados que mostram a produção global de resíduos e suas consequências, Ohtake iniciou a palestra observando que "a sustentabilidade é um desafio seríssimo que nós, países em desenvolvimento, não vamos ter condições de resolver em três ou quatro gerações".

"Como nós, arquitetos, podemos trabalhar a arquitetura social?", indagou ao contar sua experiência de aliar a técnica à cidadania em projeto de conjunto residencial de São Paulo destinado a pessoas de baixa renda. Na prática, ele conversou com os moradores da área que receberia a obra para saber das necessidades e decidiu incluir uma biblioteca no projeto, além de área de lazer, diante dos lamentos de pais por causa do envolvimento dos filhos com o tráfico.

Ohtake observou que o problema é o mesmo de outras periferias do Brasil, da América Latina e da África. "Temos que saber enfrentar. Temos condições de ampliar algumas melhorias nos programas das prefeituras e do governo do Estado", reforçou.

Em Belém, ele também reforçou sua tese de que as prefeituras devem começar seus Planos Diretores Urbanos a partir das periferias. O arquiteto entende que são essas a áreas que precisam de investimento.

Vanguarda da estética – Antes de começar a detalhar suas obras, Ohtake foi enfático: "ousadia, invenção são algumas condições que a gente tem que desenvolver. A vanguarda dá um passo pra frente. Quem tem medo de discussão nunca vai ser de vanguarda. Na estética, o consenso é retardatário".

O arquiteto classificou a curva como um "traço fantasia", diferente da reta que é racional, mas os dois foram pontuados como importantes, assim como a cor.
Sobre o colorido que está presente em muitas de suas obras, ele observou que as cidades brasileiras perderam a cor quando os profissionais buscaram formação em Paris e adotaram a perspectiva externa. A resistência ainda é vista em centros históricos como o de Belém e da Bahia, observou.

As decisões arquitetônicas podem ajudar no consumo consciente.


Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFPA, o arquiteto e urbanista Joaquim Meira provocou os participantes do Seminário de Arquitetura Sustentável de Vanguarda a se inserirem na discussão sobre o uso racional de materiais. Ele defendeu que a escolha pela sustentabilidade tem repercussão global.

Meira apresentou dados sobre a geração de resíduos pela população mundial e os tratados internacionais que passaram a ser assinados para se buscar a justiça social, econômica e ambiental. Foi feito um paralelo entre grandes obras e o resíduo gerado para mostrar que não há equilíbrio.

"E o arquiteto? O que precisa para ser sustentável?", questionou para, então, apresentar experiências bem sucedidas que o conhecimento tradicional ou o da academia permitiram. O conhecimento empírico, por exemplo, produziu casas térmicas há mais de 1 mil anos, na Escócia, assim como os iglus.

Do conhecimento acadêmico, citou exemplos mais atuais que transformam a luz solar em energia. Tanto o processo de inércia térmica quanto o de acúmulo de energia solar geram produtos e técnicas que os arquitetos podem se apropriar.

Meira elenca o aproveitamento de materiais, água e energia como pontos fundamentais na arquitetura sustentável. Usando a criatividade do designer, esses elementos podem ficar totalmente integrados ao projeto.

"Todas as nossas decisões vão projetar algum subproduto, positivo ou negativo. Hoje, não só para a minha família, mas para a sociedade. Toda e qualquer decisão de vocês é relacionada ao que vai acontecer", finalizou.