• menu1
31/08/2015 16h33 - Atualizado em 31/08/2015 16h33
FGV debate sustentabilidade em Belém. Seminário traz pesquisadores do mundo para conhecer região
Da Redação
Portal FADESP
A-A+ Tamanho da Letra

Um debate sobre o meio ambiente e a sustentabilidade no mundo marcou, ontem, a abertura do Seminário Internacional de Sustentabilidade: Desafios e Oportunidades, realizado pela Fundação Getúlio Vargas na sede da conveniada Ideal em Belém. A programação começou no Rio de Janeiro, na última quarta-feira, 26, segundo o pró-reitor da FGV, Antonio Freitas, com o objetivo de juntar profissionais dos Estados Unidos, do Exército Brasileiro e da Embrapa e levar a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para tratar do tema. "Queremos desmistificar a Amazônia, porque essa é a região do Brasil mais rica em biodiversidade, em riquezas que podem ser exploradas de maneira sustentável", esclareceu ",esclareceu.

Freitas lembrou que o Brasil possui 20% da água do planeta, que vale mais do que o petróleo, e a maior parte está na Amazônia. "Nos Estados Unidos e na Europa as pessoas não têm ideia de que essa riqueza ainda existe e pensam que o Brasil está desmatando. Mas aqui ainda tem 70% da floresta e quase toda ela está na região amazônica", acrescentou. Ele disse, também, que o objetivo do encontro era trazer professores e pesquisadores internacionais que possam espalhar essas informações para o mundo.

Na opinião do pró-reitor, o mundo está mudando e é preciso discutir muita coisa. "Hoje tem cheias no Norte e no Nordeste e falta de água no Sul e no Sudeste, onde as pessoas precisam reciclar água de banho para que não falte. Você tem incêndios em Moscou, na Califórnia, em Madri, em Portugal.

Temos questões ambientais gravíssimas que as pessoas fingem que não veem, mas que afetam a todos nós, nossos filhos, netos e até bisnetos", comentou. Antonio Freitas lembrou que não se cria ou se conserva riqueza natural destruindo. "Quando você vê uma árvore que levou mais de 100 anos para crescer sendo derrubada e sabe que 50% é desperdiçado, você pensa no mau uso dos recursos naturais", criticou. Para ele, a sustentabilidade não é só questão de meio ambiente, mas de ética e de gênero e por isso o seminário não se destiina apenas a quem trabalha com o setor.

Freitas acrescentou que o evento é para todas as áreas e também faz parte de um esforço relativo aos Princípios para Educação Executiva Responsável, da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual a FGV está ativamente participando.
"E agora, pela primeira vez na região amazônica, que é a menina dos olhos de todo mundo, pois o mundo só fala da Amazônia e suas riquezas", disse ainda.
Freitas garantiu que a FGV se considera feliz por trazer o seminário para o Pará, porque, em sua opinião, o crescimento da região é impressionante. "Eu venho aqui desde os anos 70 e a cada ano o estado está com ativa produção", comentou.

Palestra trata de projeto que alia o desenvolvimento ao meio ambiente

O diretor da Ideal Conveniada da FGV, Antonio Carlos Trindade de Moraes, participou do debate na sede da FGV, no Rio de Janeiro, como presidente de honra do evento. "Eu estou acostumado a acompanhar o rigor com que a FGV toma as suas decisões e considero um privilégio trazer o seminário para a Belém e também ter sido convidado como presidente de honra do evento", elogiou.

Para ele, isso mostra que Belém está colhendo frutos por projetos como o Desmatamento Zero e avançando na via saudável para a construção de uma Amazônia melhor, sem degradação ambiental, focada na ambição de tornar a região digna dos ser humano que a habita.
Na palestra da noite, o presidente da Faepa, Carlos Xavier, tratou de uma discussão técnica sobre sustentabilidade na Amazônia. "Essa apresentação vem com a experiência de homem do campo, mas que tem a visão do estado e que conhece a produção rural e sabe que ele está presente, hoje, em 138 municípios", explicou.

Xavier disse que, por conhecer isso, tem insistido na ampliação da consciência de política do estado. "Mostrar que aqui está acontecendo um fato e que todo mundo de fora quer mandar no estado com alguns projetos grandes, que não conhecem como funciona a região e acabam destruindo. O estado com potencialidade imensa mas com baixo desenvolvimento humano. Mas hoje nós temos uma responsabilidade ecológica e social por meio de uma lei que define o limite para se usar os recursos naturais. Nenhum outro lugar no Brasil tem isso", alertou. Ele defendeu o uso sustentável dos mais de 70% de floresta ainda existentes. "Nós somos o único estado que tem um projeto de desenvolvimento aliado com o meio ambiente", ressaltou.

A programação do seminário continua hoje, a bordo de um barco, com um workshop pelos rios da Amazônia. O palestrante será o engenheiro agrônomo e consultor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa), Dilson Frazão. Ele afirmou que o seminário da FGV é visto como uma maneira de mostrar a realidade da Amazônia. "Vamos ter um passeio pelas ilhas de Belém. Lá vamos falar do desenvolvimento do local, o que diz respeito a agricultura e pecuária. Sabemos que temos dificuldades, quando se fala de meio ambiente e sustentabilidade, mas pelo potencial do Estado nós vamos conseguir ter um bom desenvolvimento de maneira sustentável", assegurou. 

O diretor executivo da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), Sinfronio Brito Moraes, destacou que o seminário é fundamental para tratar da iodiversidade da Amazônia e o que tem sido feito para preservá-la, além da divulgação das ações que são desenvolvidas na Amazônia pelos convidados. "Esse tipo de discussão vem para dar visibilidade às ações feitas no Pará", finalizou.

Texto: Reprodução do jornal O Liberal