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04/06/2014 16h17 - Atualizado em 04/06/2014 16h17
Estudo coloca Caxiuanã na rota das florestas tropicais monitoradas
Da Redação
Portal FADESP
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Pesquisadora Fernanda Santos, do MPEG.
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Imagem de anta captada pelo monitoramento da Flona.
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Estudo coloca Caxiuanã na rota das florestas tropicais monitoradas.
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Alto da torre da estação cilmática.
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Flona de Caxiuanã, em Melgaço (PA).

Das inúmeras espécies animais que vivem na Floresta Nacional de Caxiuanã, em Melgaço (PA), 27 de mamíferos e 12 de aves já foram identificadas por estudo desenvolvido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, financiado pela Conservation International e apoiado pela FADESP. O trabalho integra um projeto de monitoramento das florestas tropicais no mundo.

O estudo chamado "Ecologia, Avaliação e Monitoramento das Florestas da Estação Científica Ferreira Penna, Melgaço/PA" foi iniciado em 2002 e terá uma de suas etapas concluídas em 2014. O objetivo é monitorar as mudanças nas comunidades animais e vegetais, além das alterações climáticas na Flona.
O mesmo trabalho é desenvolvido em outras florestas tropicais espalhadas pelos continentes americano, africano e asiático, como parte do programa Tropical Ecology Assessment and Monitoring Network (Team - Avaliação e Monitoramento de Ecologia Tropical), liderado pela Conservation International.
Em Caxiuanã, o monitoramento dos animais se concentra nos mamíferos e aves terrestres. Foram instalados pontos de observação dotados de câmera fotográfica que possui sensores de calor e movimentos capazes de detectarem a presença dos animais a serem fotografados.
Essas "armadilhas fotográficas" permitem a fotografia dos animais em sequência, com a identificação do dia e da hora em que ele passou em frente à câmera.
Depois de 30 dias ininterruptos de captação de imagens, tem-se material suficiente para identificar as espécies de animais terrestres na área monitorada. E também dados como a preferência de habitat e a dinâmica populacional das comunidades, sob condições diferenciadas, como a época do ano, por exemplo.
Nos últimos dois anos, o banco de dados de Caxiuanã já alcançou a marca de mais de 20 mil fotos catalogadas. E a identificação dos animais, através de programa próprio do Team, já permitiu identificar 27 espécies de mamíferos e 12 espécies de aves na Flona.
Em dez anos foram identificadas também 534 espécies de árvores, lianas e palmeiras. A área para o monitoramento da vegetação está dividida em seis quadrantes de um hectare cada. Uma vez por ano, as árvores que possuem um DAP (diâmetro a altura do peito) superior a 10 cm são numeradas e têm seu diâmetro medido.
Este monitoramento permite avaliar o aumento da biomassa, o crescimento, a mortalidade e o recrutamento dos indivíduos, por exemplo. Então, além de gerar o mapeamento das espécies e indivíduos, o estudo ecológico também permite verificar se estão sofrendo alguma alteração.
Se a alteração estiver relacionada ao clima, os dados que podem embasar essa conclusão estão no próprio estudo, já que ele também engloba o monitoramento climático. Umidade, calor, temperatura baixa, a frequência das variações desses aspectos, tudo é acompanhado.
As variações climáticas são verificadas a partir da torre de 40 metros de altura, dotada de sensores e pluviômetro, que medem a umidade do ar, a temperatura, a radiação solar e a pluviosidade a cada cinco minutos.
Os dados climáticos são captados por computador e, assim como as informações catalogadas pelo monitoramento animal e vegetal em Caxiuanã, são enviados ao Team. Lá, podem ser comparados aos captados nos outros 15 sítios localizados em diferentes países.
"Tudo é feito exatamente da mesma maneira em 15 outros sítios ao redor do mundo. O Team é uma rede, então, tem o mesmo protocolo de coleta de dados. Isso permite que a gente possa comparar o que está acontecendo nas florestas tropicais da América, da Ásia e da África em tempo real", afirma a bióloga e gerente de logística do estudo, Fernanda da Silva Santos.

Informações ajudam no uso sustentável das florestas

A gerente de logística do estudo em Caxiuanã, Fernanda Santos, revela que alguns dados já foram utilizados para a elaboração do Plano de Manejo da Flona paraense. E que outros podem ajudar a tratar de assuntos mais globais como o estoque de carbono exigido dos países para que se alcance o equilíbrio entre a economia e o meio ambiente.
O Plano de Manejo da Flona de Caxiuanã foi aprovado em 2012. Isso significa que a área não será apenas de preservação, mas também de exploração econômica autorizada pelo governo federal a partir de parâmetros que garantam a proteção de espécies ameaçadas de extinção e a sobrevivência das comunidades locais.
Fernanda Santos destaca que no caso de exploração madeireira, os estudos ajudarão ainda a analisar os impactos dessa atividade, pois, a partir dos dados já conhecidos, é possível verificar as mudanças nas populações de animais e vegetais e também do microclima.
"Provavelmente vai ter exploração de madeira na Flona. A longo prazo, vamos ter condições de dizer o que está acontecendo com aquela comunidade e, se necessário, sugerir ações para diminuir os impactos", diz.
Ela explica que será a hora de verificar "como as populações animais respondem à interferência humana, caça e exploração, se a abundância de herbívoros e carnívoros está aumentando ou diminuindo, por exemplo".

Dados disponibilizados geram novas pesquisas

Segundo a coordenação do estudo sobre a ecologia na Flona de Caxiuanã, o Team tem permitido a interação entre os pesquisadores de diversas partes do mundo. Os dados acabam ajudando no desenvolvimento de novas pesquisas e quem ganha é a ciência.
"O objetivo é o monitoramento da biodiversidade. Como somos uma rede, os dados estão disponíveis para a comunidade científica. Essa rede permite a interligação com outras áreas de estudo e outros pesquisadores. Permite a disseminação do conhecimento sobre a diversidade e os fatores ambientais de cada sítio do TEAM. É uma troca", diz.
Para a bióloga, como tudo está aberto à comunidade científica, existem várias questões que podem ser respondidas com os dados. Basta que se saiba trabalhar com as informações disponíveis.
"Os estudos podem ser conduzidos do ponto de vista das mudanças climáticas, do estoque de carbono, das comunidades animais. É dinâmico. São muitas possibilidades que podem ser exploradas numa escala local (Caxiuanã), regional e até global", observa.

Texto: Sandra Rocha
Fotos: cedidas pela pesquisadora 

*O projeto pode ser conferido na Galeria de Projetos e mais detalhes sobre o gerenciamento estão no Portal da Transparência.